terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Balanço 4T2019: Itaú e BB Seguridade

Foca no Balanço: essencial para o investidor fundamentalista

Em meio à tanta volatilidade e intempéries na Bolsa de Valores, o que mantém o investidor firme em suas posições é saber que as empresas na qual ele investe continuam lucrativas.

Através dos balanços trimestrais, temos uma noção dessa métrica e de toda a saúde financeira das empresas. Embora considere a comparação entre balanço anual mais eficiente na avaliação da empresa, acompanhar o trimestral também é importante para o sócio.

Pois bem, a ideia aqui é expor os resultados numa visão macro, caso queiram aprofundar no balanço, segue site de Relações com investidores de ambas as empresas:

Itaú (ITUB3/ITUB4): https://www.itau.com.br/relacoes-com-investidores/Download.aspx?Arquivo=h6WQ5bq1WRA7sUz54cF52w==&linguagem=pt

BB Seguridade (BBSE3): http://www.bbseguridaderi.com.br/

Itaú Unibanco (ITUB3)

O Banco Itaú, maior banco privado da América Latina, reportou outro forte resultado nesse fechamento de trimestre.

Destaques:

  • Aumento do lucro líquido: 1,9% comparado ao 3T18 e 10,2% sobre 2018.
  • Aumento do ROE (Retorno sobre patrimônio líquido): 0,3% ante 3T18 e 1,7% sobre 2018, atingindo 23,7%.
  • Expansão da carteira de crédito para todos os segmentos (PF, PJ, etc): Apesar da nova regulação da cobrança de juros, onde linhas de juros tiveram que ser reduzidas, o banco conseguiu conhecer melhor seu cliente através do Cadastro Positivo, contribuindo desse modo no aumento de receitas provenientes de empréstimos. Somado à isso, a redução progressiva da Selic estimulou a tomada de crédito.
  • Aumento de receitas provenientes de assessoria econômica, financeira e corretagem: mesmo isentando custódia e Taxa 0 pra FIIS, por exemplo, o banco conseguiu rentabilizar através da assessoria, ou seja, orientando clientes através de suas carteiras recomendadas, promovendo o ganho com corretagem, taxa de administração em fundos de investimento e ETF.
  • Dividendos: Após a divulgação dos resultados, o banco deliberou nova distribuição de dividendos. ITAÚ UNIBANCO HOLDING S.A. ("Companhia") comunica aos seus acionistas que o Conselho de Administração, reunido em 10.2.2020, aprovou o pagamento, em 6.3.2020, dos seguintes proventos aos acionistas, tendo como base de cálculo a posição acionária final registrada no dia 20.2.2020:

  • a) dividendos complementares no valor de R$ 0,4832 por ação; e
    b) juros sobre o capital próprio complementares no valor de R$ 0,5235 por ação, com retenção de 15% de imposto de renda na fonte, resultando em juros líquidos de R$ 0,444975 por ação, excetuados dessa retenção os acionistas pessoas jurídicas comprovadamente imunes ou isentos.
    Aprovou, ainda, que os juros sobre o capital próprio declarados pelo Conselho de Administração em 28.11.2019, no valor bruto de R$ 0,037560 por ação (líquido de R$ 0,031926 por ação), também serão pagos em 6.3.2020 aos acionistas com posição acionária final registrada no dia 12.12.2019.
    Em relação ao resultado de 2019, os acionistas da Companhia receberão R$ 1,9270 por ação, que totaliza R$ 18,8 bilhões em dividendos e juros sobre o capital próprio (líquido de imposto de renda), valor esse que equivale a 66,2% do lucro líquido consolidado recorrente do exercício de 2019.
Enfim, excelente resultado. Por mais que exista um sensacionalismo provocado pela ameaça das fintechs, sigo confiante e tranquilo na capacidade de geração de caixa do Itaú. Lembrando que o número de agências físicas foi reduzida em 8,8%, isso tudo faz parte do processo de digitalização do Banco, que vem investindo continuamente em processos para torná-lo cada vez mais digital. Portanto, acredito que o banco continuará crescendo em 2020 sobretudo impulsionado pela demanda de crédito tanto de PF e PJ apostando numa consolidação do aquecimento econômico em nosso país.

BB Seguridade (BBSE3)

A BB Seguridade, por sua vez, também reportou um resultado expressivo. Como se trata de um modelo de negócios com vários braços de receitas e para efeito de simplificação, segue quadro resumo com os principais destaques:


O lucro líquido no 4T19 da ordem de R$ 1,1 bilhão, 34,8% maior comparado ao 4T18. No total de 2019, o lucro líquido foi de incríveis R$ 4,3 bilhões, 21,3% maior do que no ano anterior. A empresa salientou que muito desse resultado é atribuído, entre outros fatores, à dinâmica favorável dos índices de inflação que atualizam os ativos e passivos dos planos definidos. 

O resultado foi tão bom que, inclusive, superou o valor estimado pelo Guidance 2019.


Com um resultado tão expressivo, a empresa deliberou pagamento de dividendos referentes ao 2T19. Simplesmente uma bolada de mais de R$ 3 bilhões, representando 83% do payout da empresa.

Aviso: distribuição de dividendos

Portanto, resultado robusto da BBSE3, enfatizando a resiliência do setor de seguros. Sigo confiante no case da empresa, na forma como é desdobrado suas fontes de receitas: seguros diversos (caso, carro, vida, etc), planos de previdência, corretora, isso tudo potencializado pela capilaridade do Banco do Brasil. 

Para 2020, a tendência é que os resultados continuem fortes, uma vez que a captação através de previdência pode ser expandida em virtude da maior procura e interesse das pessoas em fazer seu próprio plano de Previdência e também em função dos seguros, com a economia crescendo, haverá aumento de vendas de carros, por exemplo, e consequentemente maior procura por seguros de veículos. Além disso, o próprio setor de corretagem pode crescer ainda mais, dado que o BB vem fazendo campanhas diversas sobre app da Corretora, onde taxas de custódia foram zeradas , então isso pode atrair os próprios clientes do banco à operarem ativos de Renda Variável, resultando em ganhos financeiros através da corretagem.

Disclaimer: Esta postagem não se trata de recomendação de compra dos ativos citados. O objetivo é apenas divulgar e analisar os resultados das empresas que sou sócio. Lembrando que resultados passados não é garantia de resultados futuros, então fica à cargo do investidor tomar suas próprias decisões de investimento, isentando o blogueiro de qualquer responsabilidade.

4 comentários:

  1. Não esqueça, que na BBSE, teve não recorrente que foi a venda da IRB.

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    1. Boa observação. Inclusive a redução de capital foi em virtude desse procedimento, achei válido pois com isso a BBSE3 pretende focar exclusivamente em seu negócio.

      Obrigado pela visita e pela participação, Paulo.

      Abraço.

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  2. Fala Colheita,
    Vc não tem problema de investir em estatais? Eu pelo menos não confio muito, pesa muito na minha decisão por incluir uma empresa. Se vc gosta de seguros, ja deu uma olhada em Porto Seguro Seguros?

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    1. Fala Punk de Gravata, bão demais?

      Então, não fico totalmente confortável investindo em estatais, mas tudo é uma questão de analisar o macro. No setor de Seguros, optei por BBSE3 devido a capilaridade do BB (queira ou não, é uma empresa centenária). No setor bancário, optei pelo Itaú e pretendo acrescentar o Bradesco em breve, assim ficarei posicionado nos 3 grandes bancos, mesmo que indiretamente via BBSE3.

      Quanto à Porto Seguro, considero uma excelente empresa, entretanto possui o Itaú por trás, como sou acionista de Itaú, então tenho participação indireta em PSSA3 hehe. Além disso, na cotação atual o Yield ficou pouco atrativo, favorecendo a escolha por BBSE3, mas nada impede que ao longo do tempo eu possa montar posição.

      Quanto ao perigo por ser estatal: de fato existe o risco, assim como em diversos setores e empresas:

      CCRO3: Exploração de rodovias, quase um monopólio junto com ECOR3. Excelente empresa, mas esteve envolvida em denúncias de corrupção e qualquer manobra do governo (alteração em tarifas de pedágio) pode se lascar.

      Bancos: Temor pelas fintechs e novas tecnologias.

      Elétricas: Influência do Governo.

      Saneamento: Influência do Governo.

      Commodities: Influência da macroeconomia.

      Varejo: margens baixas e alta concorrência.

      Se for analisar friamente e sendo radical demais, não sobra empresa pra investir. Por isso é importante a gestão de risco. Estou concentrando agora inicialmente, mas à medida que o meu patrimônio for crescendo posso migrar pros FIIs ou ainda adquirir cupons semestrais do Tesouro, determinar um percentual pra RF.

      Enfim, não quero sofrer por antecipação, como estou investindo pro longo prazo pode acontecer muita interferência, o importante é estar atento e se tiver que mudar ou ajustar a rota, paciência. Faz parte do processo e do aprendizado.

      Abraço e valeu pela participação.

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