quarta-feira, 20 de maio de 2020

Liquidez Corrente: um indicador essencial em tempos de crise


Em tempos de crise feito essa pandemia que estamos vivenciando, as empresas costumam apresentar dificuldades em quitar seus compromissos de curto prazo, seja pela queda na receita representada pelo deficit no número de produtos vendidos ou serviços prestados ou ainda, pela inadimplência.

Nesse sentido, um indicador contábil importante é a Liquidez Corrente.

Liquidez Corrente pode ser entendida como a capacidade de uma empresa honrar seus compromissos de curto prazo. Em termos matemáticos, é calculada da seguinte maneira:

Liquidez Corrente (LC) = Ativo Circulante / Passivo Circulante

Onde:

Ativo Circulante = contas a receber, estoque, caixa e etc.

Passivo Circulante = empréstimos, financiamentos, folha de pagamento, fornecedores e etc.

De posse do resultado obtido, podemos fazer a seguinte análise:

LC > 1 = Demonstra folga diante de uma possível liquidação das dívidas de curto prazo.

LC = 1 = Equivalência, ou seja, consegue cumprir suas obrigações de curto prazo, porém sem folga.

LC < 1 = Sem condições de quitar dívidas de curto prazo, teria que recorrer à empréstimos ou financiamentos, podendo comprometer ainda mais a saúde financeira da empresa.

Nesse sentido, fiz um estudo onde selecionei as principais empresas listadas na B3 cujo LC é maior do que 1, retirei as empresas com lucro líquido negativo e considerei aquelas com liquidez diária média de R$ 200.000, segue abaixo: 

                                            Fonte: Status Invest.

Existem outras dezenas de empresas com LC acima de 1, mas para não deixar o estudo tão extenso, me limitei às 30 primeiras da lista.

Além da LC precisamos entender qual o setor que a empresa está inserida, qual a sua margem líquida, se possui uma dívida alta e etc.

Destaquei algumas empresas de setores distintos para análise:
  • Consumo cíclico (Vestuário, Calçados): É um setor que já vem sendo prejudicado pela crise devido as medidas de isolamento social. Aqui temos representado a Grendene (GRDN3), Lojas Hering (HGTX) e a Vulcabrás (VULC3) fabricantes de calçados. As 3 empresas praticamente não possuem dívidas, possui uma boa LC, entretanto estão inseridas num setor que opera com margem líquida baixa, exceto a GRDN3 que possui uma margem líquida acima de 20%. Não sou entusiasta do setor, mas analisando friamente os números dificilmente essas empresas quebrarão no curto prazo.
  • Construção Civil: É um setor totalmente cíclico, apesar da taxa de juros estar no seu menor patamar e que em tese favoreceria esse segmento, a tendência é que ocorra uma desaceleração desse mercado. Eztec (EZTC3), Trisul (TRIS3), Tenda (TEND3), MRV (MRVE3) estão aqui representadas. Destaque para a EZTEC3 que possui um perfil de empreendimento voltado pra alta renda, operando com margem líquida excelente de quase 40%, sem dívidas e com alta liquidez corrente (6,18). 
  • Gás e Combustível: Representando pela Ultrapar (UGPA4), que possui uma margem líquida baixíssima, com uma dívida razoável, porém apresenta um certo fôlego dado sua liquidez corrente. Por estar num setor considerado essencial, acredito que a empresa conseguirá suportar essa crise, mas é preciso ter diligência nos custos para não sacrificar ainda mais sua margem de lucro.
  • Energia Elétrica: As empresas aqui selecionadas, Taesa e Alupar (ALUP11) estão no melhor subsetor de energia elétrica que é o de transmissão. Percebam a margem líquida absurda da Taesa (TAEE3/TAAE4) acima de 50%. Apesar de possuir uma dívida líquida / patrimônio líquido acima de 1, o seu perfil de dívida é controlado, dado que são dívidas de longo prazo e a empresa consegue quitar devido sua forte geração de caixa. Acredito que seja o setor que menos irá sofrer nessa crise, pois as empresas possuem uma receita previsível.
  • Bancos: Não consegui extrair os dados do Itaú e Santander, entretanto Bradesco e Banco do Brasil apresentaram LC abaixo de 1. Apesar disso, acredito que a liquidez corrente dos Bancos esteja num patamar favorável, uma vez que todos esses, exceto o Santander, fizeram provisões bilionárias contra possível inadimplência por parte dos clientes em decorrência da pandemia.
Conclusão

Na análise fundamentalista de empresas, analisar apenas um indicador pode ser perigoso. Em nosso estudo apresentado, por exemplo, foi retirado as empresas com lucro líquido negativo da análise, justamente para ressaltar que ter uma LC razoável não basta, afinal, uma empresa que só gera prejuízos a tendência é que sua dívida aumente ao longo do tempo e inevitavelmente, ela terá que queimar caixa e patrimônio para tentar se salvar, podendo chegar à falência.

Por isso que eu procuro sempre frisar a importância de analisar uma empresa como um todo, ou seja, o setor que está inserida, como ela ganha dinheiro, qual a sua margem de lucro líquido, sua capacidade de geração de caixa e etc. 

O intuito do post é mostrar que mesmo na crise e queda nas vendas e lucros, boas empresas podem sobreviver graças à sua LC. Mesmo que a empresa tenha trimestrais ruins, o que será comum até o final do ano (ou até mais, não sabemos) a empresa não deixará de ser boa. Portanto, você investidor, não saia vendendo suas ações desesperado achando que a empresa vai quebrar, se você investiu nessa empresa é porque acredita na sua gestão, então tenha paciência.

Governo vai socorrer as Elétricas



O segmento de Energia Elétrica é considerado um setor perene dentro da economia, entretanto devido os efeitos do Coronavírus, as empresas do setor de Distribuição já estão sentindo os reflexos da inadimplência por porte dos consumidores. Exemplo recente foi os resultados da Cemig (CMIG3) e Energias do Brasil (ENBR3) que apresentaram queda no lucro líquido no 1T2020.

Nesse sentido, o Governo divulgou na noite de segunda-feira (18/05/2020) um decreto que prevê um apoio às Distribuidoras de Energia Elétrica, também chamado "Conta-Covid". Os financiamentos serão tomados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e esse recurso será utilizado para antecipar as receitas das empresas ou cobrir déficits nos balanços.

O valor dos empréstimos não foi divulgado, porém ficará a cargo da Agência de Energia Elétrica (ANEEL) definir tanto o volume total de captação junto aos bancos quanto o valor mensal à ser repassado à Conta-Covid das distribuidoras. À princípio, essa operação será válida de Abril até Dezembro de 2020.

De acordo com o Ministério de Minas e Energia, a Conta-Covid vai beneficiar também os consumidores de energia elétrica, uma vez que irá poupá-los de aumentos tarifários sob pena de equilibrar a situação financeira das concessionárias de distribuição. Acho pouco provável, visto que em nosso país todo e qualquer tipo de custo é sempre repassado ao consumidor final.

Contrapartida

Para ser aceite no programa, as empresas precisam estar cientes e aceitarem algumas condições, recomendo a leitura do Decreto na Íntegra, dentre elas uma em especial me chamou a atenção:
  • Em caso de inadimplência setorial, as empresas deverão distribuir somente 25% do lucro líquido em forma de dividendos, conforme é previsto em lei. 
Ou seja, em caso de crise generalizada no setor, ou seja, se chegarmos ao ponto do consumidor, em sua maioria, não conseguir pagar a conta, haverá essa limitação na distribuição de dividendos. 

Não acredito que chegaremos nesse colapso total, contudo o investidor focado em dividendos precisa estar ciente de que seus dividendos poderão ser reduzidos substancialmente durante esse período de crise que, infelizmente, não sabemos até quando irá se estender.




segunda-feira, 18 de maio de 2020

Auxílio Emergencial pra comprar Bitcoin



Saudações, amigos investidores!

Li uma matéria curiosa Auxílio Emergencial para Comprar Bitcoin e resolvi transformá-la em post. 

Resumidamente, a matéria relata a história de um estudante que ao receber os R$ 600 do auxílio emergencial, decidiu aplicar todo o dinheiro em Bitcoin. Não vou entrar no mérito se ele precisava desse dinheiro ou não, se foi privilegiado ou não, pois isso gera uma discussão eterna , sobretudo de cunho político.

Independentemente da veracidade da matéria, o objetivo é destacar alguns pontos, de modo a auxiliar outras pessoas a não cometerem o mesmo erro do envolvido.

Lembrando que eu não condeno nenhum tipo de investimento, desde que a possa saiba o que está fazendo e tenha um objetivo claro para isso, ou seja, investimentos não são um fim e sim um meio para realizar sonhos, projetos e planos.

Segue abaixo trechos da entrevista e meus comentários em seguida.

“Eu usei meu auxílio emergencial para comprar bitcoin e lucrei 40 reais”.

Num momento de pandemia onde as pessoas estão preocupadas em ter o que comer e como vão pagar suas contas, você recebe um auxílio emergencial do Governo e utiliza-o num investimento de alto risco para lucrar R$ 40 reais. Até que ponto vale a pena arriscar esse dinheiro para ganhar essa quantia? Sejamos sinceros, isso beira a insanidade. E se o preço do Bitcoin tivesse caído, ele teria que resgatar no prejuízo para pagar suas contas. Novamente ilustra a mentalidade do especulador em ganhar dinheiro rápido. 

“Minha intenção era me proteger da inflação”

O indivíduo investiu num dia e retirou o investimento no mesmo dia. Qual a lógica disso? Para proteger seu dinheiro ao longo do tempo você pode investir no Tesouro IPCA+ que te garante uma rentabilidade que acompanha o CDI e ainda te protege da inflação. 

“Me afobei e saquei cedo demais. Poderia ter saído com R$ 690 se tivesse esperado mais”.

Outro equívoco: investiu sem ter um objetivo em mente, foi guiado apenas pelo impulso. Poderia ter estabelecido um alvo, por exemplo, quando subir 20% do preço pago eu vendo e embolso o lucro.

“Eu estava desempregado. Não tinha como”.

Pensou em investir antes porém estava desempregado, continua desemprego porém dessa vez recebeu um auxílio. Não seria hora de segurar esse dinheiro para pagar as despesas básicas até passar esse período de pandemia? Mas não, a ganância e a ansiedade falam mais alto.

“Vou esperar o halving, que deve ter uma leve queda e daí vou comprar mais bitcoin”.

Não satisfeito, pretende utilizar a segunda parcela do auxílio para investir novamente. Além disso, continua com o viés especulativo. Quem garante que terá uma nova queda? Ninguém sabe.

Algumas lições que podemos tirar:
  • Não invista o dinheiro de curto prazo que você usaria para pagar contas em investimentos de alto risco.
  • Defina objetivos em seus investimentos.
  • Invista naquilo que você conhece.
  • Ansiedade e ganância são capazes de detonar qualquer patrimônio.

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Análise de Resultados 1T2020: Taesa (TAEE3/TAEE4/TAEE11)


Saudações, amigos investidores!

A Transmissora Aliança de Energia Elétrica, mais conhecida como  TAESA, divulgou na noite de ontem (14/05/2020) seus resultados referente ao 1º Trimestre de 2020. Como era de se esperar e mesmo em meio à essa pandemia, a empresa reportou um sólido resultado. Segue abaixo alguns pontos de destaque:

  • Lucro líquido: Lucro líquido de R$ 364 milhões, aumento de 128,2% no lucro líquido em comparação ao 1T2019. Impulsionado pelos maiores investimentos e pelo aumento dos índices de inflação. 
  • Receita líquida: crescimento anual de 2,8% da receita líquida regulatória.
  • Taxa de Disponibilidade: 99, 98%, registrando o maior índice nos últimos anos. Esse indicador mede o tempo (h) que uma rede de transmissão fica disponível dividido pelo número de horas no ano, ou seja, é um indicador que representa a eficiência operacional da empresa.
  • Caixa: 1,7 bilhão, desconsiderando o pagamento das aquisições de São João, São Pedro e Lagoa Nova. Cabe mencionar que, em abril,  a empresa emitiu novas dívidas no valor de R$ 900 MM para reforçar sua posição de caixa, sendo uma medida estratégica diante desse contexto atual dos mercados e também visando cumprir suas obrigações contratuais, em especial referente a contratos de dívida.
  • Novas conclusões de empreendimentos: São José e São Pedro em fevereiro e Lagoa Nova em março. Com isso, foi adicionado R$ 242,8 MM à RAP, já afetando positivamente o resultado do primeiro trimestre.
Fonte: RI Taesa, Release de Resultados 1T2020.
  • Dívida líquida/EBITDA: 3.0. Ligar o sinal de alerta, mas como disse no tópico do aporte Maio/Taesa, é característica da empresa operar alavancada, porém confio na capacidade financeira da empresa em honrar seus compromissos de curto/longo prazo.
  • Dívida Líquida: Aumento em 8,5%. Justificado pela captação da 8ª emissão de debêntures da Taesa em Janeiro de 2020 no valor de R$ 300 milhões, além de empréstimos pra financiar o empreendimento de Lagoa Nova seguido dos juros incorridos no período.
  • Investimentos: R$ 331 MM investidos no 1T2020 ante R$ 82,1 MM investidos no 1T2019. 
  • Projetos em construção: A Companhia possui atualmente 7 empreendimentos em construção, totalizando um investimento de R$ 4.951 MM, gerando uma RAP de R$ 874 MM ciclo (2019-2020).
  • Para celebrar esse forte resultado, a Taesa deliberou a distribuição de dividendos e Juros sobre Capital Próprio aos seus acionistas (irei receber uns trocados):
Fonte: RI Taesa, Distribuição de Dividendos e JSCP.
Conclusão

Ao contrário de muitas empresas que já estão sendo castigadas nesse 1T2020, a Taesa após esse resultado evidencia sua forte geração de caixa, previsibilidade de receitas e sobretudo atesta a perenidade do setor de transmissão dentro do segmento de Energia Elétrica. 

Enquanto algumas empresas do setor de distribuição tiveram forte queda no lucro (ENBR3) e as geradoras como a EGIE3 estão tendo dificuldades para receber devido essa pandemia, a TAESA foi na contramão em termos de resultados (não estou dizendo que as outras empresas são ruins, muito pelo contrário). Por isso é importante conhecer o setor de atuação da empresa  que você investe e como a mesma ganha dinheiro. 

Recomendo aos leitores que quiserem aprofundar na análise, visitarem a página de RI da empresa, através do release você poderá entender melhor a contabilidade que envolve o lucro líquido, pois existe muitas especificações regulatórias, além disso é interessante analisar com mais profundidade de onde vem as dívidas da empresa e no release você encontra todas essas informações e outras bem detalhadas, além dos projetos em andamento da companhia, que demonstram a visão da empresa em continuar gerando valor ao acionista.

Por fim, minha intenção foi trazer o resultado simplificado, para facilitar a vida do investidor e dos leitores do Blog. Simplicidade é tudo, menos é mais, inclusive nos investimentos. 

Até o próximo trimestre, sigo tranquilo aqui como acionista. Um conselho: não se prenda em cotação no curto prazo, foquem na empresa e na sua capacidade de gerar lucros!

quarta-feira, 13 de maio de 2020

As ações e a sua relação com o nosso cotidiano


O investimento em ações ainda é visto com desconfiança pela maioria da população brasileira, onde muitos associam a aplicação em ações à um cassino, onde você aposta num código e torce para que o mesmo suba até atingir um valor, seguido da venda. Quando ocorre o oposto, ou seja, o preço da ação cai, o especulador vende sua ação com prejuízo e esbraveja que a Bolsa de Valores é um jogo de azar.

Muitos incautos  enxergam o investimento em ações dessa forma, por isso aplicam seus recursos com viés especulativo. 

Contudo, por trás desses códigos ou tickers, existem as empresas que são organismos vivos, constituídas de pessoas, recursos, processos e que cuja função é oferecer produtos/serviços/soluções para a sociedade visando auferir lucros. 

E quando você investe numa empresa com a mentalidade de se tornar sócio, você deixa de lado o aspecto especulativo e confia na capacidade da empresa em gerar lucro e te beneficiar como acionista, seja através dos dividendos ou no crescimento de valor de mercado da empresa no longo prazo.

A Bolsa de Valores é o único ambiente que te possibilita se tornar sócio de grandes empresas, com pouco dinheiro, bastando apenas ter uma conta numa corretora e acesso à internet para efetuar o negócio. Basta um click, sem a necessidade de intermediários, de reuniões chatas entre sócios, ou seja, burocracia zero.

Nesse sentido, a intenção desse post é mostrar como as ações estão presentes em nosso cotidiano e  que, a maioria da população (por falta de educação financeira) acaba não percebendo a possibilidade se tornar sócio das empresas que ela é cliente.

A seguir estarei expondo um pouco da minha rotina no sentido de demonstrar a presença das ações no nosso dia-a-dia. Lembrando que o foco não é dizer se a empresa é boa ou não para se tornar sócio, é sempre recomendado estudar a empresa antes de concretizar a intenção de investimento. O código das empresas estarão entre parênteses no texto.

Um dia comum na vida de um investidor

Acordo 6h da manhã, celular desperta, pego o aparelho desligo o alarme, inevitavelmente vejo notificações pois o wi-fi não tinha sido desativado. Primeiro elemento e essencial, a internet. Sou cliente da Vivo, cuja empresa possui ações listadas na Bolsa com o código (VIVT3/VIVT4).

Pulo da cama, calço meus chinelos (ALPA4, GRND3) e vou pro banheiro lavar o rosto. Acendo a luz (CMIG3) e abro a torneira de água (CSMG3) e depois vou pra debaixo do chuveiro.

Faço um café e pego um biscoito de maizena pra acompanhar (MDIA3).

Ligo a moto para ir trabalhar. Vejo que o ponteiro da gasolina (PETR4) está baixa, então passo num posto de gasolina (UGPA3).

Perto do meu local de trabalho, na região industrial, passo sob a linha férrea que transporta minério (VALE3) e passageiros, vejo uma locadora de carros (RENT3), uma distribuidora de aços da Gerdau (GGBR3), o aeroporto (embora fechado), cujos voos em sua maioria eram da (GOLL4) e (AZUL3).

Chego ao trabalho, ligo o PC e abro o software de controle de suprimentos e produção desenvolvido pela Totvs (TOTS3).

Na linha de produção percebo que a maioria das máquinas possuem motor de uma das maiores fabricantes de motores e soluções industriais do Brasil e do mundo (WEGE3).

Na casa de máquinas confiro o compressor (SHUL4) funcionando plenamente. Girando pelo estoque, verifico as caixas e embalagens de papel (KLBN4) em perfeito estado.

Meio-dia, melhor horário do dia que é o almoço. Pego minha marmita simples com arroz e feijão (CAML3), proteína de frango (BRFS3), ovo, legumes e salada.

É sexta-feira, 5º dia útil, todo mundo ansioso pelo pagamento. Abro o aplicativo do banco Itaú (ITUB3), dinheiro na conta (uhuu), transfiro o valor do meu aporte mensal para o Banco Inter (BIDI4) que utilizo como minha corretora.

Saio do trabalho e vou pro mercado comprar umas coisas. Passo por uma praça e vejo pontos de vendas de apartamentos na planta (MRVE3), uma seguradora de saúde (SULA11), Burguer King (BKBR3) e uma farmácia da Drogasil (RADL3).

Na avenida principal da cidade é quase inevitável não perceber: agências de bancos (ITUB3, BBDC3, BBAS3, SANB3, BMEB3), lojas de varejo (MGLU3, VVAR3, LAME4, AMAR3), lojas de roupas (LREN3, HGTX3).

Chego ao mercado e compro algumas coisas que estava precisando, além da cerveja (ABEV3) embora eu prefiro Heineken, rs. Para curar uma possível ressaca ou uma gripe, compro uns remédios (HYPE3) na farmácia, pagando com cartão de crédito na maquininha da Cielo (CIEL3) e volto pra casa para seguir na quarentena.

Conclusão

Percebam como num dia simples a presença das ações é constante e indispensável. Usar a internet, a energia elétrica, água, se alimentar, abastecer seu veículo, receber e pagar contas através do banco, a necessidade do comércio representado pelos eletroeletrônicos, roupas e vestuário, enfim, isso é essencial para nossas vidas, faz parte da engrenagem do nosso sistema.

Diante do exposto, você pode simplesmente continuar sua rotina de consumo, gerando lucro para essas empresas e setores. Ou, você pode escolher participar desses negócios sendo sócios dessas e outras tantas empresas listadas na Bolsa de Valores e que fazem parte das nossas vidas.

Me digam, caros leitores, se identificaram com essa postagem, quais dessas e outras ações (que não foram citadas)  fazem parte da sua vida?

Disclaimer: Essa postagem não se trata de recomendação de compra, todos os ativos citados  são apenas exemplos utilizados dentro do contexto deste conteúdo e possuem unicamente a intenção de propagar a Educação Financeira entre os leitores do Blog.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Aporte 07: Transmissora Aliança de Energia Elétrica "Taesa"(TAEE3)


Saudações, amigos investidores!

Outro mês se passou e cá estamos nós para o ritual mais aguardado pelo investidor, ao menos para mim, que é o aporte mensal.

Confesso que neste mês foi difícil tomar uma decisão de investimento, dado que todas as ações da minha carteira estão em queda e segurei a tentação de não aportar no Banco Bradesco que no momento representava uma variação negativa acima de 30% e era minha menor posição da carteira.

Acabei optando por não seguir a velha máxima de comprar e baixar o preço médio (PM) por basicamente 3 razões:
  1. Várias empresas que eu já estudei para me tornar sócio estão, neste momento, bastante atrativas para aportar;
  2. Esse é o momento ideal para diversificar a carteira ao invés de concentrar, indo de encontro ao motivo primeiro;
  3. Acredito que as ações que já compõe minha carteira continuarão em viés de baixa nos próximos meses devido a pandemia, então certamente terei a oportunidade de aportar nelas futuramente e baixar meu PM.
Um ponto importante a se destacar é o fato da Taesa possuir 3 classes de ações no mercado representado pelos seguintes códigos:
  • ON (TAEE3): Ação Ordinária, com direito à voto;
  •  PN (TAEE4) : Ação Preferencial, sem direito ao voto porém com prioridade no recebimento dos dividendos;
  • UNIT (TAEE11): Ação composta por 2 ações PN e 1 ON;
Particularmente, prefiro ações ON. Entretanto, quando a ação de  alguma empresa não possuir liquidez poderei comprar a ação PN (não deixarei de investir numa boa empresa por conta disso). 

Mesmo a ação ON da Taesa tendo baixa liquidez, consegui comprar a ação sem problemas, minha ordem de compra foi executada em menos de 2 minutos. Assim, pude quebrar um paradigma de muitos "gurus" do mercado que recomendam comprar a UNIT por ter maior liquidez, ora, meu capital é baixo, não sou nenhum gestor de fundo que por ter posições grandes na casa de milhões, necessitam de liquidez. Portanto, para o pequeno investidor pessoa física, que aporta mensalmente uma fatia do seu salário, acredito que a ON atende perfeitamente o objetivo que é se posicionar na empresa e manter as ações na sua carteira.

Um aspecto que reforça minha preferência pela ação ON é o fato de não existir diferença percentual entre os dividendos distribuídos para o acionista que tiver a ação ON ou PN, ou seja, o dividendo distribuído é o mesmo. 

TAESA: Um pouco mais sobre a empresa e motivos para investir

A Transmissora Aliança de Energia Elétrica S.A. – TAESA – é um dos maiores grupos privados de transmissão de energia elétrica do Brasil em termos de Receita Anual Permitida (RAP). A empresa é exclusivamente dedicada à construção, operação e manutenção de ativos de transmissão, com 10.980 km de linhas em operação e 2.599 km de linhas em construção, totalizando 13.579 km de extensão e 97 subestações. Além disso, possui ativos em operação com nível de tensão entre 230 e 525kV, presença em todas as 5 Regiões do país (18 Estados e o Distrito Federal) e um Centro de Operação e Controle localizado em Brasília. Atualmente a TAESA detém 39 concessões de transmissão: (i) 10 concessões que compõem a empresa holding (TSN, Novatrans, ETEO, GTESA, PATESA, Munirah, NTE, STE, ATE e ATE II); (ii) 10 investidas integrais (Brasnorte, ATE III, São Gotardo, Mariana, Miracema, Janaúba, Sant’Ana, São João, São Pedro e Lagoa Nova); e (iii) 19 participações (ETAU, Transmineiras e os Grupos AIE e TBE).

Fonte: RI Taesa, Apresentação Institucional Fev/20

A Taesa está inserida no segmento de Transmissão que é considerado o "filé mignon" do setor elétrico brasileiro.

Fonte: RI Taesa, Apresentação Institucional Fev/20

Alguns fatores decisivos que sustentam a posição de vanguarda  do setor de transmissão entre os investidores de longo prazo:

Fonte: RI Taesa, Apresentação Institucional Fev/20
  • Boa escalabilidade representado pelo seu Market Share e alta rentabilidade.
                
  • Forte geração de caixa
Por ter renda garantida e ajustada pela inflação através da RAP, a Taesa gera muita caixa e a medida que novas concessões são implementadas sua RAP aumenta, otimizando ainda mais sua rentabilidade.

                                                                                                  
  • Payout alto e histórico consistente na distribuição de dividendos
A Taesa é uma verdadeira "vaca leiteira", ou seja, notória distribuidora de bons dividendos, sendo indispensável para compor uma carteira de ações com foco em dividendos. 
                                                                 
  • Concessões longas
Boa parte das concessões da Taesa vencem em 2043, ou seja, o acionista poderá auferir renda passiva e previsível ao longo dos anos de acumulação e também durante o período de fruição (empresa sempre atenta aos novos leilões de concessão), ou seja, no momento que irá usar seus dividendos para pagar suas contas e sustentar seu padrão de vida. 

Aspectos negativos

Como nem tudo são flores, a empresa possui alguns pontos que o investidor precisa se ater antes de investir, são eles:

  1. Governança Coorporativa: um dos sócios majoritários da Taesa é a Cemig, que por sua vez é controlada pelo Estado de Minas Gerais. Ou seja, a empresa está sujeita a interferência do Estado em suas decisões. Portanto, para quem não se incomoda com esse fato, a Taesa é uma excelente empresa para se ter em carteira, caso contrário, melhor ficar de fora.
  2.  Dívida: a maioria das elétricas trabalham alavancadas pois necessitam de capital para financiar os leilões de concessão. Geralmente as empresas recorrem à empréstimos, além de emitir bonds ou debêntures para financiar seus projetos. Nesse sentido, é importante conhecer o perfil de dívida da empresa, ou seja, o prazo para pagamento (costuma ser de longo prazo) e se é indexada ao CDI ou IPCA. Particularmente me sinto confortável, pois a dívida da Taesa é controlada e sua forte geração de caixa permite que seja paga ao longo do tempo.
Conclusão

A escolha pela Taesa segue algumas premissas que considero essenciais numa empresa - setor perene, receitas diversificadas, robustez e forte geração de caixa, regularidade na distribuição de dividendos e etc. 

Além disso, num momento de incertezas como esse, a presença de empresas com esse perfil em sua carteira é essencial. Além de ser uma empresa defensiva, cuja cotação não oscila tanto, a Taesa por ter receitas previsíveis dificilmente vai cessar a distribuição de dividendos, o que é muito importante para minha estratégia que visa um fluxo de proventos de forma contínua e periódica.

Por fim, trouxe alguns pontos de análise da empresa que considero importante e tentei ser sucinto ao máximo para não ficar tão extenso a postagem, então aos leitores que se interessaram pela empresa, sugiro que visitem a página de relações com investidores para estudar e entender melhor o perfil da empresa antes de concretizar o investimento.

Resumo do Aporte Mai/2020:

Ação: TAEE3
Preço da ação: R$ 8,91
Quantidade de ações: 58
Valor Investido: R$ 516,78

Carteira atualizada






Disclaimer: Este post não é uma recomendação de compra, até porque o blogueiro não possui certificação no mercado de capitais para indicar ativos financeiros. O objetivo da postagem é única e exclusiva no sentido de registrar meu aporte mensal e compartilhar com os leitores a saga de um pequeno investidor pessoa física na Bolsa de Valores.

quinta-feira, 7 de maio de 2020

Novo corte na Selic: Mínima histórica


Evolução da taxa básica de juros Selic desde 2019, Fonte: G1

O COPOM (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decretou ontem um novo corte na taxa Selic, recuando de 3,75% a.a. para 3,00% a.a, atingindo assim o patamar mínimo histórico.

O foco do Blog é discutir sobre a Renda Variável, entretanto a Taxa Selic acaba afetando o mercado de RV, representado tanto pelas ações quanto pelos Fundos Imobiliários.

Na medida que a Taxa Selic cai, investidores buscam rentabilizar seus investimentos de outra maneira, dessa forma surge uma migração de investidores de Renda Fixa para ações ou via fundo.

Analisando o contexto atual, ou seja, a pandemia que estamos enfrentando, o investidor conservador ficaria num impasse: deixo meu dinheiro seguro, rentabilizando pouco, com uma certa liquidez ou opto por investir em ações, mesmo nessa volatilidade, em busca de um rendimento melhor?

No meu caso, se eu fosse um investidor iniciante, não faria essa migração. As corretoras e mídia em geral, querem exatamente isso, ou seja, que você gire seu patrimônio (pagando impostos e taxas), geralmente de forma ingênua, caracterizando o famoso "efeito manada".

Apesar que o meu foco seja o investimento em ações, não acredito em "melhor investimento do momento". Isso é ilusão, o melhor investimento é aquele que te deixa tranquilo e que atenda seus objetivos de curto/médio/longo prazo, seja através da Poupança, Tesouro Direto, Ações, Imóveis, Fundos Imobiliários, Bitcoin, Dólar, Ouro, e etc.

Segurança é tudo

Pior do que buscar uma rentabilidade maior na RV sem conhecimento e experiência, é tentar rentabilizar seu dinheiro na RF. 

Fiz uma simulação básica de R$ 1.000 investidos no Tesouro Selic, com vencimento de 1 ano e a nova taxa  Selic de 3,0%, segue resultado descontando IR e taxa anual cobrado pela B3.

Simulação aporte mil reais, Fonte: Simulador Tesouro Direto.

As taxas de CDB, LCI e fundos DI simuladas, giram em torno de 82 e 84% do CDI, comumente oferecidas pelos grandes bancos.

Conforme dito anteriormente, Corretoras e mídia (youtuber principalmente) tentarão te empurrar CDB/LCI de bancos médios/pequenos à todo custo (pois eles recebem comissão por isso). Será que realmente vale à pena correr riscos por conta de uma rentabilidade ínfima, comparado a segurança do Tesouro Direto e poupança do bancão? 

Apesar de um perfil mais arrojado com ações, na questão da Renda Fixa eu prefiro ser extremamente conservador. Dinheiro pra Reserva de Emergência, ainda mais nesse momento de pandemia e incertezas, prefiro deixar uma parte na poupança do bancão e o restante no Tesouro Selic. R$ 2 ou R$ 5 reais à mais não farão diferença no longo prazo, pois prefiro dormir em paz.

Para quem quer continuar investindo em Renda Fixa, o ideal é o Tesouro IPCA com prazo mais longo possível, independente da taxa você estará protegido da inflação e como o prazo é longo, você pagará menos imposto ao resgatar somente no vencimento.

Buscar maior rentabilidade em Renda Fixa, ainda mais para fins de Reserva de Emergência, pode ser um tiro no pé. Bancos médios/pequenos podem quebrar e você ficará a mercê de FCG, o que é prejudicial para o investidor neste momento de incertezas que estamos enfrentando.

terça-feira, 5 de maio de 2020

Análise de Resultados 1T2020: Bradesco e BB Seguridade

Saudações, amigos investidores!

No dia 29/04 o Banco Bradesco divulgou seus resultados e por conta da véspera de feriado e fechamento do mês de Abril, não consegui fazer a análise de imediato.

Aproveitando que a BB Seguridade soltou seus resultados no dia de ontem 04/05, venho trazer as análises de ambas as empresas na qual sou sócio. Pretendo ser bastante sucinto, destacando as variáveis principais de cada negócio e deixando minhas considerações acerca de cada empresa.

  • Banco Bradesco (BBDC3,BBD4)
                                          Fonte: RI Banco Bradesco, release de resultados.

Num primeiro instante, o resultado parece preocupante (o mercado não reagiu bem), ou seja, o segundo maior banco privado do país reportar queda de 43,5% no trimestre e 39,8% comparado ao mesmo período do ano anterior. 

Contudo, essa queda pode ser justificada pelo conservadorismo do banco nesse momento de pandemia, onde antevendo um aumento de inadimplência nos próximos meses, estabeleceu uma provisão, também chamado de PDD (Provisão para Devedores Duvidosos) recorde total de 5,1 bilhões de reais, sendo provisão complementar em Março de R$ 2,5 Bi.

                                           Fonte: RI Banco Bradesco, release de resultados.

Um aspecto positivo foi o aumento de 5,1% da carteira de crédito do banco. Nesse momento de dificuldade, tanto PF e PJ recorrem ao crédito. Isso é uma faca de dois gumes, afinal, aumentar a carteira de crédito é importante pois além do crédito em si você cria um relacionamento com o cliente ao longo do tempo, podendo ofertar outros produtos e serviços, gerando assim mais receita para o banco. Por outro lado, o Banco Bradesco é conhecido por ser menos rígido na análise do requerente ao crédito, ao contrário do Itaú, por exemplo. Sendo assim, a probabilidade do aumento da inadimplência e, associado à pandemia, se torna ainda mais latente. Os primeiros reflexos já foram sentidos, onde a inadimplência subiu 3,7% nos últimos 90 dias.

                                           Fonte: RI Banco Bradesco, release de resultados.

Sendo o Lucro líquido 3.753 e a provisão de 2.500, somando esses valores chegamos ao resultado de R$ 6.253 Bi, próximo do resultado do 4T2019 que foi de R$ 6.645 Bi. Portanto, não considero o resultado de todo desastroso, caso a situação da pandemia seja resolvida nos próximos trimestres e consequentemente a situação econômica também melhore, a inadimplência pode não ser tão alta à ponto de ter que recorrer aos R$ 2,5 Bi provisionados e com isso, esse valor pode retornar ao caixa sob a forma de lucros. Óbviamente que se trata de uma hipótese positiva, eu como acionista iria adorar ver esse valor retornando ao caixa e sendo distribuído como proventos, mas ninguém sabe como serão os próximos meses.

Enfim, o que me agradou nesse balanço foi a transparência do banco em divulgar essa provisão, sob pena de "sangrar o lucro" nesse primeiro momento, ponto positivo pra gestão, independente se o mercado reagir de forma negativa no curto prazo, é a robustez do banco e o seu futuro que está em jogo. Ao contrário do Santander, por exemplo, que não provisionou nada e distribuiu todo o lucro em forma de dividendos para socorrer a matriz espanhola. Por mais que eu seja um entusiasta de dividendos, nesta situação fica clara como cada banco possui uma gestão de riscos e o motivo da minha predileção pelo Bradesco.

  • BB Seguridade (BBSE3)
                                         Fonte: RI BB Seguridade, release de resultados.

Lembrando que as fontes de receita da BB Seguridade são provenientes de 4 vértices: BrasilSeg, BrasilCap, BrasilPrev e BB Corretora.

Alguns motivos para a queda no lucro líquido (-12,9%): 
  • influência da marcação à mercado dos títulos nos planos de previdência da BrasilPrev, cuja maioria são indexados ao IGP-M. Com a alta da inflação no mês de Dezembro, acabou afetando o resultado.
  • queda do resultado da BrasilSeg explicada pela retração da taxa média da Selic e por menores ganhos na alienação de títulos públicos classificados como disponível para venda. Lembrando que boa parte do resultado das seguradoras são provenientes de aplicações financeiras, uma vez que eles recebem do segurado antes mesmo de cobrir um sinistro, então para o dinheiro não ficar parado no caixa ele é alocado em algum título público ou privado. 
  • alienação da participação no IRB Brasil em julho de 2019.
  • Aumento no número de resgates de Previdência Privada em 9,4%. Como as pessoas estão em busca de liquidez para sobreviver nessa pandemia, justificando-se assim esses resgates.
  • Arrecadação com títulos de capitalização recuou 16,2%, natural num período de crise as pessoas evitarem esse tipo de aplicação.
Pontos positivos:
  • Crescimento de 15,9% de prêmios emitidos: Destaque para o seguro rural com crescimento de 31,3%, impulsionado pela antecipação do Banco do Brasil para o plano Safra 2020/2021 e pelo plano prestamista, que avançou 30% neste trimestre.
  • Queda da sinistralidade em -7,4%.
  • Crescimento em 25% nos Planos de Previdência: em meio ao caos muitas pessoas ainda pensam no futuro, em como passariam por outra crise sem uma renda, então acabam procurando esse tipo de investimento.
  • Captação líquida cresceu 71,7%, enquanto o volume de reservas expandiu 9%.
  • Resultado financeiro evoluiu 6,8% em razão principalmente da redução de despesa com taxa de administração.
A queda no lucro era algo esperado, porém não foi tão significativa assim. Boa parte da queda nos lucros não ocorreu em virtude da pandemia e sim em função do comportamento da taxa de juros e inflação, provocando descasamento entre ativos e passivos da empresa.

Os primeiros efeitos da pandemia foram sentidos a partida da segunda quinzena de março, onde o faturamento foi afetado. A venda de alguns seguros sofreram recuo como seguro de vida (quase 5%) e títulos de capitalização, além do aumento no número de resgates da previdência privada, conforme citado anteriormente.

O desafio agora fica por conta da gestão de vendas, pois apesar do home-office, não pode haver afrouxamento na prospecção de novos segurados, acredito que esse deve ser o foco para empresa continuar gerando caixa.

Sigo "seguro" como acionista dessa empresa de seguros (risos). Uma empresa com faturamento próximo de 1 Bi, resultado operacional próximo de 95%, excelente margem líquida acima de 50%, com caixa e expertise de mercado, certamente vai passar por essa crise.

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Fechamento Abr/20: R$ 2425,40 (+2,01%)

Saudações, amigos investidores!

No fechamento desse mês e nos meses subsequentes, pretendo fazer um post mais simples e dentro dos padrões da finansfera, sobretudo na questão de acompanhamento patrimonial. Em virtude disso, estarei utilizando a lendária planilha de acompanhamento mensal desenvolvida pelo blogueiro Além da Poupança e cedida gentilmente pelo amigo Investidor Miserável.

Pois bem, nesse mês de Abril convivemos novamente com a volatilidade, representada tanto pela questão da pandemia do novo Coronavírus quanto das questões políticas ("Moro Day") que assolam nosso país. 

Apesar de toda turbulência, consegui fechar o mês no positivo +2,01%, enquanto no ano acumulo uma rentabilidade negativa de -21,48%.


O desempenho mensal poderia ter sido melhor caso não tivesse ocorrido o "Moro Day" na última sexta-feira, dia 24/04/2020 e também no pregão de ontem, onde o mercado fechou em queda, puxado pelas ações do Bradesco (após divulgação dos resultados do 1º trimestre), conforme ilustrado abaixo.

                                          Comportamento do IBOV no mês de Abril/20.

Desempenho mensal

  • BBSE3: 6,84%
  • BBDC3: 1,86%
  • ITUB3: -0,86%
  • EGIE3: -1,73%

Destaque positivo para BBSE3. O Banco Bradesco BBDC3 após a divulgação dos resultados ontem (farei um post na próxima semana) caiu cerca de -6,45%, apesar disso teve um desempenho positivo no mês, lembrando que ganhei 2 ações através da bonificação. Por outro lado, ITUB3 e EGIE3 tiveram um desempenho ligeiramente negativo, mas nada tão absurdo. 

Desempenho geral

Empresa   Custódia   Preço Médio  Investido         Valor            Desempenho

ITUB3           34            R$ 30,16       R$ 1.025,44     R$  748,00          -27,06 %
BBSE3            28            R$ 36,58       R$ 1.020,75     R$  743,40          -27,17 %
BBDC3           22            R$ 25,19       R$ 544,20 R$  386,32          -29,01 %
EGIE3            14            R$ 39,81       R$ 557,34 R$  547,68          -1,73%

Carteira Consolidada


O Banco Bradesco (BBDC3) está com a menor participação da carteira, pois dentre os "bancões" é o que mais têm sido afetado em termos de cotação, desde o mês de Março. Ainda estou pensando se o aporte do mês de Maio será nele visando equilibrar a carteira ou se coloco um novo ativo, aproveitando que muitas empresas estão atrativas em termos de preço. Até a próxima sexta-feira tomo minha decisão de investimento, até porque em uma semana muita coisa pode mudar no mercado.



Dividendos

  • BBSE3: R$ 17,57
  • ITUB3: R$ 0,51
  • BBDC3: R$ 0,29

Nesse mês recebi a Restituição de Capital deliberada pela BBSE3 em Janeiro, além dos dividendos e JSCP mensais do Itaú e Bradesco, respectivamente.

Infelizmente, a tendência é que os dividendos sejam parcos nos próximos meses em virtude dessa pandemia, sobretudo vindo dos bancos. A BBSE3 não comunicou nada ainda à respeito de alguma alteração na política de proventos, porém a divulgação dos resultados sai nessa semana e a empresa costuma pagar dividendos no mês de Junho, então ficarei em compasso de espera. Com relação à EGIE3, provavelmente a empresa não manterá o payout em 100% neste ano, uma vez que já está tendo dificuldade em receber das distribuidoras, então isso deve ser provisionado.



Conclusão


Esse mês o mercado estava reagindo bem com relação à epidemia, contudo a política interna acabou gerando um stress e afetou o desempenho. Isso por si só evidencia como o mercado é sensível à macroeconomia e política, além é claro, de muitos investidores operarem baseado em notícias.

O que muda pra Engie com a saída do Moro? Absolutamente, nada. 

Ou pra BBSE3? Também não.

As empresas continuam existindo, independente disso. Não vou entrar no mérito se o mercado é eficiente ou não em precificar ativos, mas em situações desse tipo fica nítido como muitos investidores se deixam levar por notícias e vendem suas ações no desesperado, sem levar em conta o racional do investimento.

Enfim, esse jovem investidor amador que vos escreve,  sobreviveu à mais um mês nesse mercado insano.


Stay Hard!

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Agenda de Balanços 1T2020 (Parte I)

                                          Fonte: Valor Investe, Globo.

Apesar da pandemia ser o foco das atenções nesse momento, não podemos nos esquecer que as empresas listadas na B3 iniciaram o ano operando normalmente, ou seja, produzindo e faturando.

As restrições e decretos aplicados visando o distanciamento social começaram a vigorar a partir da metade do mês de Março, portanto presumo que não impactaram de modo significativo nas receitas das empresas.

Acredito que teremos uma dimensão maior do Coronavírus nos resultados das empresas, a partir do 2T20 estendendo-se até o final do ano. 

Segue cronograma de divulgação (Parte I) de resultados das principais empresas listadas na Bolsa:

=> Essa semana

Hoje 27/04/20

Fleury (FLRY3)
Neoenergia (NEOE3)
Paranapanema (PMAM3)

Amanhã 28/04/2020

Cielo (CIEL3)
Industrias Romi (ROMI3)
Localiza Rent a Car (RENT3)
Minerva (BEEF3)
Raia Drogasil (RADL3)
Santander Brasil (SANB3,SANB4,SANB11)
Vale (VALE3)

Quarta-Feira 29/04/2020

Transmissora Paulista ISA CETEEP (TRPL3,TRPL4)
Centrais Elétricas de SP (CESP3,CESP5,CESP6)
Multiplan (MULT3)
Odontoprev (ODPV3)
Petrorio (PRIO3)
Weg (WEGE3)

Quinta-feira 30/04/2020

*Banco Bradesco (BBDC3,BBDC4)
Companhia Energia Elétrica do Ceará (COCE3,COCE5)

Sexta-feira 01/05/2020

PortoBello (PTBL3)

Domingo 03/05/2020

*Itaú Unibanco (ITUB3,ITUB4)

=> Próxima Semana

Segunda-feira 04/05/2020

*BB Seguridade (BBSE3)
Comgas (CGAS3,CGAS5)
Gol (GOLL4)
Klabin (KLBN3,KLBN4,KLBN11)
Marcopolo (POMO3,POMO4)
Porto Seguro (PSSA3)

Terça-feira 05/05/2020

Alpargatas (ALPA3,ALPA4)
EDP Energias do Brasil (ENBR3)
Iguatemi (IGTA3)
Tim (TIMP3)

Quarta-feira 06/06/2020

AES Tietê (TIET3,TIET4,TIET11)
Arezzo (ARZZ3)
BR Propert (BRPR3)
CSN (CSNA3)
Duratex (DTEX3)
Ecorodovias (ECOR3)
*Engie (EGIE3)
Eternit (ETER3)
Fras-le (FRAS3)
Gerdau (GGBR3,GGBR4)
Intermedica (GNDI3)
Pão de Açucar (PCAR3)
Telefonica Brasil (VIVT3,VIVT4)
Tenda (TEND3)
Totvs (TOTS3)
Wiz (WIZS3)

Quinta-feira 07/05/2020

Ambev (ABEV3)
Azul (AZUL4)
B2W Digital (BTOW3)
Banco do Brasil (BBAS3)
Burguer King (BKBR3)
CSU Card System (CARD3)
Eletropaulo (ELPL3)
Equatorial (EQTL3)
Gafisa (GFSA3)
Light (LIGT3)
Lojas Americanas (LAME3,LAME4)
MRV (MRVE3)
Magazine Luiza (MGLU3)
Qualicorp (QUAL3)
Tupy (TUPY3)
Yduqs (YDUQ3)

Sexta- Feira 08/05/2020

Ferbasa (FESA3,FESA4)
M.Dias Branco (MDIA3)
Sabesp (SBESP3)

*Empresas que sou acionista.

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Vou deixar de receber meus dividendos nessa crise? Calma, investidor!



Além do caos na saúde pública, o efeito Coronavírus carrega consigo diversos prejuízos econômicos sobretudo após as medidas de isolamento social (não vou entrar no mérito se essa ação é assertiva ou não, pois o mesmo provoca discussões ad eternum), restringindo a análise apenas ao impacto que esse vírus pode trazer para a economia de um modo geral, sobretudo sobre as empresas listadas na B3.

No Estado de SP, por exemplo, a quarentena teve início oficialmente a partir do dia 24/03/2020 onde determinava que estabelecimentos comerciais que não estivessem entre os serviços essenciais de alimentação, saúde, abastecimento, limpeza urbana, segurança pública e bancos, deveriam ser fechados. Além de SP, outros Estados, capitais e municípios impuseram decretos no sentido de limitar a circulação das pessoas, provocando o distanciamento social, o que, em tese, reduz o risco de contágio.

Contudo, essa é uma situação delicada e como se diz muito no interior "Com esse cobertor, você cobre a cabeça e descobre os pés". Ou seja, você precisa resolver um problema grave que envolve a saúde pública e acaba gerando um outro problema de igual, ou maior dimensão: aumento do desemprego, falência de pequenas e médias empresas, redução do PIB, diminuição de investimentos por parte das empresas visando preservar o caixa, enfim é um efeito cascata englobando tanto organizações quanto a sociedade.

Com efeito, diversos setores da nossa economia acabam afetados: comércio em geral (lojas de roupas e eletroeletrônicos, academias, consultórios, salões de beleza, bares, restaurantes, boates e etc), setor aéreo, turismo, hotelaria, montadoras de veículos, locadoras de veículos e etc. 

Por outro lado, existem setores mais resilientes (bancos, energia elétrica, saneamento básico,saúde, seguros e etc) que devido sua forte geração de caixa, costumam suportar as crises com mais facilidade. Porém, podem  também enfrentar dificuldades. Os bancos, por exemplo, certamente terão índices de inadimplência aumentados nessa crise, setor elétrico pode sofrer sanções do Governo nas tarifas (isenção ou postergação) de energia elétrica afetando desse modo o faturamento, o mesmo vale para as companhias de Saneamento que majoritariamente são controladas pelo Estado.

E por que as empresas deixariam de pagar dividendos nesse período?

É simples - os dividendos são oriundos dos lucros das empresas, então se há redução ou previsão de queda nos lucros a tendência é que a distribuição de dividendos também seja afetada.

Obviamente que essa decisão depende unicamente da gestão de cada empresa, ou seja, determinada empresa pode optar por preservar seu caixa nessa crise enquanto outras podem efetuar a distribuição de dividendos pois já possuem um caixa robusto.

Empresas que já suspenderam ou diminuíram os dividendos

Energias do Brasil (ENBR3): Decidiu reduzir dividendos para preservar  o caixa em meio à crise do Coronavírus. Havia sido proposto a distribuição de 604 milhões relativos ao exercício de 2019 e esse valor foi reduzido para 353 milhões, isto é, a distribuição será de cerca de 27,8% do lucro líquido ante 47% proposto anteriormente.

Bancos (Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil, Banrisul, ABC, etc): O Conselho Monetário Nacional (CMN) vedou, temporariamente, o aumento na distribuição de dividendos pelos bancos como parte das medidas adotadas pelo Banco Central para enfrentar a crise do coronavírus. As vedações serão aplicadas aos pagamentos referentes às datas-bases compreendidas em Abril e 30 de setembro de 2020 e pagamentos a serem realizados durante a vigência da norma.

Petrobrás (PETR3,PETR4): Cancelou todas as datas de pagamentos referente ao exercício de 2019, totalizando R$ 1,7 bilhão.

Fundos Imobiliários: O segmento mais afetado até o momento é o de Shoppings, devido ao fechamento dos mesmos. Alguns fundos já comunicaram o cancelamento de dividendos como o XPML11. Outros segmentos poderão sofrer com inadimplência, como é o caso dos Galpões Logísticos e Lajes Coorporativas, porém até o momento não houve comunicado sobre suspensão ou redução de dividendos.

Lembrando que teremos uma dimensão maior dos impactos da pandemia na divulgação dos resultados do 1T2020 e 2T2020, então é importante estar atento aos balanços das empresas.

Conclusão

Da mesma forma que nós, investidores, estamos tendo que rever nossos gastos, orçamento doméstico, possibilidade de conviver com a redução de salário ou até demissão, as empresas estão enfrentando dificuldades por conta dessa pandemia.

Obviamente que para o investidor que visa renda passiva é péssimo conviver com reajustes e cortes nos dividendos. Contudo, isso é passageiro, assim esperamos, quando tudo isso passar certamente as empresas retomaram a distribuição como de costume, sobretudo empresas robustas inseridas em setores perenes.

Se essas empresas passarem pela crise sem precisar utilizar o caixa ou não houver queda significativa nos lucros, isso será incorporado aos dividendos, o repasse ao acionista pode ocorrer futuramente, ou seja, em algum momento é inevitável.

Ao investidor iniciante, não venda suas ações, continue seguindo o plano de aportar mensalmente e internalizando o sentimento de sócio das empresas que você investe. Se tiver que reduzir o aporte que o faça, mesmo que seja na Renda Fixa para aumentar o caixa ou Reserva de Emergência, mas continue aportando.

Stay Hard!

Fonte:
https://www.sunoresearch.com.br/noticias/fundos-imobiliarios-suspendem-pagamento-dividendos/
https://br.investing.com/news/stock-market-news/itau-unibanco-confirma-doacao-de-r1-bi-para-combate-a-coronavirus-737221
https://br.investing.com/news/stock-market-news/aneel-suspende-por-90-dias-reajuste-tarifario-de-distribuidoras-da-energisa-e-cpfl-736189
https://www.moneytimes.com.br/petrobras-cancela-datas-de-pagamentos-de-dividendos/
https://www.moneytimes.com.br/iguatemi-conselho-cancela-assembleia-e-pede-revisao-da-proposta-de-distribuicao-de-dividendos/
https://br.investing.com/news/stock-market-news/bc-veda-distribuicao-de-dividendos-dos-bancos-e-aumento-de-remuneracao-em-meio-a-crise-735496